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terça-feira, 1 de outubro de 2013
Guerra Fiscal - Prof. Valter Lobato
- 4. • O que se entende por “Guerra Fiscal no ICMS”? Basicamente, o uso comum do termo “guerra fiscal”, no ICMS, designa as práticas de exoneração tributária dos Estados, com o fito de atenuar a carga tributária do ICMS e, com isso, atrair investimentos• A “guerra fiscal” no ICMS pode assumir várias formas, tantas quantas forem as formas de exoneração: redução de alíquota; redução de base de cálculo; créditos presumidos; diferimento; devolução direta ou indireta de tributo pago; etc.
- 5. • A guerra fiscal inconstitucional: no âmbito do ICMS, os benefícios fiscais concedidos de maneira unilateral (sem a aprovação do CONFAZ) são inconstitucionais (art. 155, II, § 2º, XII, “g”, da Constituição; art. 1º da Lei Complementar 24/75) – matéria consolidada no Supremo Tribunal Federal (v.g., STF, Tribunal Pleno, ADI 2345/SC, Rel. Min. Cezar Peluso, DJ 30.06.2011).• O contra-ataque dos Estados à guerra fiscal: a) concessão de novos incentivos, igualmente inconstitucionais, para equiparar as condições econômicas; b) Glosa unilateral dos créditos nas transferências interestaduais.
- 6. • A inconstitucionalidade da glosa unilateral dos créditos: Não-cumulatividade (art. 155, § 2º, I, II, a, b): somente as hipóteses de isenção ou não-incidência teriam o condão de acarretar a anulação dos créditos relativos às operações anteriores: * No mesmo sentido do citado RE 161031-0/MG: RE 240.395/RS; RE 421.152/RS; RE 230.543/RS; RE 355.422/MG; RE 382.396/MG etc.
- 7. Impossibilidade de glosa unilateral por respeito à Separação de Poderes, à legalidade e à confiança na lei fiscal Jurisprudência do STJ: mudança de entendimento – entendimento atual: glosa do crédito é ilegal se não houver decisão em Adin específica relativa à lei do Estado de origem (EDcl no RMS 32.453/MT; EDcl no RMS 32.937 /MT; etc.) Jurisprudência do STF:- “Na ‘guerra fiscal’, portanto, a solitária força da paz aquartela-se neste salão: é o Supremo Tribunal que tem feito recolher-se ao bom comportamento constitucional todos beligerantes que, um dia denunciam, mas, no outro, são denunciados” (ADI nº 2.377, DJ 07.11.2003, Rel. Min. Sepúlveda Pertence)
- 8. Jurisprudência do STF (continuação):- Voto da Min. Ellen Gracie (AC 2611 MC, j. /05/2010, p. DJe-085 13/05/2010): “ [...] Pode, o Estado de Minas Gerais, indiscutivelmente, argüir a inconstitucionalidade do benefício fiscal concedido pelo Estado de Goiás em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, sendo certo que este Supremo Tribunal tem conhecido e julgado diversas ações envolvendo tais conflitos entre Estados, do que é exemplo a ADI-2548. Mas a possibilidade de estabelecer a glosa, pura e simples, dos créditos apropriados em operação interestadual em que efetivamente tenha sido calculada e destacada a alíquota interestadual apresenta-se questionável em face da sistemática de tributação interestadual e da não-cumulatividade constitucionalmente consagradas, atentando-se para a orientação desta Corte [...]”- RE 628075/RS: repercussão geral reconhecida.
- 9. • No âmbito nacional: aprovação, pelo Senado Federal, da alíquota de 4% de ICMS nas importações, reduzindo a margem de manobra dos Estados para concessão de incentivos unilaterais inconstitucionais (Resolução do Senado n. 13, publicada em 26/04/2012)• No âmbito estadual: nova redação do art. 28, §§ 5º e 7º, da Lei 6763/75, dada pela Lei 19.978/2011, com efeitos a partir de janeiro de 2012 - dispõe que o direito de crédito decorrente do regime não- cumulativo não se aplica nas entradas interestaduais de mercadorias cujos remetentes tenham sido beneficiados com incentivos fiscais inconstitucionais, porque considera-se que o imposto da etapa anterior não foi cobrado
- 10. • No âmbito da jurisprudência: Edital de Proposta de Súmula Vinculante n.º 69:“Qualquer isenção, incentivo, redução de alíquota ou de base de cálculo, crédito presumido, dispensa de pagamento ou outro benefício fiscal relativo ao ICMS, concedido sem prévia aprovação em convênio celebrado no âmbito do CONFAZ, é inconstitucional”.- Não traz novidades quanto à jurisprudência consolidada do STF a respeito da inconstitucionalidade de tais benefícios- Não aborda o problema da glosa unilateral por parte do Estado de destino e nem a questão da cobrança dos valores passados.
- 11. • No âmbito da legislação: Proposta de Reforma Tributária do governo federal:- Extinção do atual ICMS e criação de um “Novo ICMS” com legislação unificada, alíquotas uniformes e sistema de débito e crédito amplificado e simplificado- Regime de transição de oito anos com a diminuição progressiva do ICMS apropriado no Estado de origem em vendas interestaduais (mantendo-se, contudo, uma alíquota residual de 2% na origem para estimular a fiscalização e ressarcir custos administrativos) e de benefícios concedidos antes da reforma, com fundos de compensação aos Estados
- 12. • Cobrança dos valores retroativos: O STF não adentrou na questão da cobrança dos valores retroativos quando dos julgamentos dos benefícios fiscais unilateralmente concedidos - ao contrário, abriu a possibilidade dos Estados, perante o CONFAZ, convalidarem o passado (medida ainda não tomada) A cobrança somente poderá ser feita pela Fiscalização do próprio Estado (art. 142, CTN), sendo amplamente discutível a cobrança pelo Ministério Público em sede de ação civil pública Guerra Fiscal
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
INFORMATIVO 526 - STJ
| Primeira Seção |
DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. INTIMAÇÃO PESSOAL DO REPRESENTANTE DE CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL EM EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ).
O
representante judicial de conselho de fiscalização profissional possui a
prerrogativa de ser intimado pessoalmente no âmbito de execução fiscal
promovida pela entidade. Incide, nessa hipótese, o disposto no
art. 25 da Lei 6.830/1980 (LEF). Deve-se ressaltar, a propósito do tema,
que o STF consolidou o entendimento de que os referidos conselhos
possuem natureza jurídica autárquica, pois exercem atividade típica de
Estado, de modo a abranger, no que concerne à fiscalização de profissões
regulamentadas, o poder de polícia, o de tributar e o de punir. Nesse
contexto, os créditos dos conselhos de fiscalização profissional devem
ser cobrados por execução fiscal, pois a expressão “Fazenda Pública”
constante do § 1º do art. 2º da LEF – “Qualquer valor, cuja cobrança
seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será
considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública.” –, deve ser interpretada
de maneira a abranger as autarquias. Dessa forma, existindo regra
específica sobre a intimação pessoal dos representes da Fazenda Pública
em execução fiscal (art. 25 da LEF), essa prerrogativa deve ser
observada no caso dos representantes dos conselhos de fiscalização
profissional. REsp 1.330.473-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/6/2013.
DIREITO ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO DAS CONCLUSÕES DA COMISSÃO EM PAD.
No
processo administrativo disciplinar, quando o relatório da comissão
processante for contrário às provas dos autos, admite-se que a
autoridade julgadora decida em sentido diverso daquele apontado nas
conclusões da referida comissão, desde que o faça motivadamente. Isso
porque, segundo o parágrafo único do art. 168 da Lei 8.112/1990, quando
“o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade
julgadora poderá, motivadamente, agravar a penalidade proposta,
abrandá-la ou isentar o servidor de responsabilidade”. Precedentes
citados: MS 15.826-DF, Primeira Seção, DJe 31/05/2013; e MS 16.174-DF,
Primeira Seção, DJe 17/02/2012. MS 17.811-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 26/6/2013.
DIREITO ADMINISTRATIVO. DESTITUIÇÃO DE CARGO EM COMISSÃO.
Deve
ser aplicada a penalidade de destituição de cargo em comissão na
hipótese em que se constate que servidor não ocupante de cargo efetivo,
valendo-se do cargo, tenha indicado irmão, nora, genro e sobrinhos para
contratação por empresas recebedoras de verbas públicas, ainda que não
haja dano ao erário ou proveito pecuniário e independentemente da
análise de antecedentes funcionais. Com efeito, é de natureza
formal o ilícito administrativo consistente na inobservância da
proibição de que o servidor se valha do cargo para lograr proveito
pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública (art.
117, IX, da Lei 8.112/1990). Nesse contexto, não importa, para
configuração do ilícito, qualquer discussão acerca da eventual
ocorrência de dano ao erário ou da existência de proveito pecuniário,
pois o que se pretende é impedir o desvio de conduta por parte do
servidor. Ressalte-se que a existência de bons antecedentes funcionais
não é suficiente para impedir a aplicação da penalidade, pois a
Administração Pública, quando se depara com situações como essa, não
dispõe de discricionariedade para aplicar pena menos gravosa,
tratando-se, sim, de ato vinculado. MS 17.811-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 26/6/2013.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REQUISITOS PARA A ATRIBUIÇÃO DE EFEITO SUSPENSIVO AOS EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ).
A
oposição de embargos à execução fiscal depois da penhora de bens do
executado não suspende automaticamente os atos executivos, fazendo-se
necessário que o embargante demonstre a relevância de seus argumentos
("fumus boni juris") e que o prosseguimento da execução poderá lhe
causar dano de difícil ou de incerta reparação ("periculum in mora"). Com
efeito, as regras da execução fiscal não se incompatibilizam com o art.
739-A do CPC/1973, que condiciona a atribuição de efeitos suspensivos
aos embargos do devedor ao cumprimento de três requisitos: apresentação
de garantia, verificação pelo juiz da relevância da fundamentação e
perigo de dano irreparável ou de difícil reparação. Para chegar a essa
conclusão, faz-se necessária uma interpretação histórica dos
dispositivos legais pertinentes ao tema. A previsão no ordenamento
jurídico pátrio da regra geral de atribuição de efeito suspensivo aos
embargos do devedor somente ocorreu com o advento da Lei 8.953/1994, que
promoveu a reforma do processo de execução do CPC/1973, nele incluindo o
§ 1º do art. 739 e o inciso I do art. 791. Antes dessa reforma,
inclusive na vigência do Decreto-lei 960/1938 – que disciplinava a
cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública em todo o
território nacional – e do CPC/1939, nenhuma lei previa expressamente a
atribuição, em regra, de efeitos suspensivos aos embargos do devedor.
Nessa época, o efeito suspensivo derivava de construção doutrinária que,
posteriormente, quando suficientemente amadurecida, culminou no projeto
que foi convertido na citada Lei n. 8.953/1994. Sendo assim, é evidente
o equívoco da premissa de que a Lei 6.830/1980 (LEF) e a Lei 8.212/1991
(LOSS) adotaram a postura suspensiva dos embargos do devedor antes
mesmo de essa postura ter sido adotada expressamente pelo próprio
CPC/1973 (com o advento da Lei 8.953/1994). Dessa forma, à luz de uma
interpretação histórica dos dispositivos legais pertinentes ao tema e
tendo em vista os princípios que influenciaram as várias reformas no
CPC/1973 e as regras dos feitos executivos da Fazenda Pública –
considerando, em especial, a eficácia material do processo executivo, a
primazia do crédito público sobre o privado e a especialidade das
execuções fiscais –, é ilógico concluir que a LEF e o art. 53, § 4º, da
Lei 8.212/1991 foram, em algum momento, ou são incompatíveis com a
ausência de efeito suspensivo aos embargos do devedor. Isso porque,
quanto ao regime jurídico desse meio de impugnação, há a invocação – com
derrogações específicas sempre no sentido de dar maiores garantias ao
crédito público – da aplicação subsidiária do disposto no CPC/1973, que
tinha redação dúbia a respeito, admitindo diversas interpretações
doutrinárias. Por essa razão, nem a LEF nem o art. 53, § 4º, da LOSS
devem ser considerados incompatíveis com a atual redação do art. 739-A
do CPC/1973. Cabe ressaltar, ademais, que, embora por fundamentos
variados – fazendo uso da interpretação sistemática da LEF e do
CPC/1973, trilhando o inovador caminho da teoria do diálogo das fontes
ou utilizando da interpretação histórica dos dispositivos (o que se faz
nesta oportunidade) – a conclusão acima exposta tem sido adotada
predominantemente no STJ. Saliente-se, por oportuno, que, em atenção ao
princípio da especialidade da LEF, mantido com a reforma do CPC/1973, a
nova redação do art. 736 do CPC, dada pela Lei 11.382/2006 – artigo que
dispensa a garantia como condicionante dos embargos –, não se aplica às
execuções fiscais, haja vista a existência de dispositivo específico,
qual seja, o art. 16, § 1º, da LEF, que exige expressamente a garantia
para a admissão de embargos à execução fiscal. Precedentes citados: AgRg
no Ag 1.381.229-PR, Primeira Turma, DJe de 2/2/2012; e AgRg nos EDcl no
Ag 1.389.866-PR, Segunda Turma, DJe de DJe 21/9/2011. REsp 1.272.827-PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 22/5/2013.
DIREITO TRIBUTÁRIO. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O PIS/PASEP E DA COFINS NA HIPÓTESE DE VENDA DE VEÍCULOS NOVOS POR CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ).
Na
venda de veículos novos, a concessionária deve recolher as contribuições
para o PIS/PASEP e a COFINS sobre a receita bruta/faturamento (arts. 2º
e 3º da Lei 9.718/1998) – compreendido o valor de venda do veículo ao
consumidor –, e não apenas sobre a diferença entre o valor de aquisição
do veículo junto à fabricante concedente e o valor da venda ao
consumidor (margem de lucro). Decerto, entre a pessoa jurídica
fabricante (montadora-concedente) e o distribuidor (concessionária), há
uma relação de concessão comercial cujo objeto é o veículo a ser vendido
ao consumidor. Esse vínculo, sob o ponto de vista comercial, é regido
pela Lei 6.729/1979, que caracteriza o fornecimento de mercadorias pela
concedente à concessionária como uma compra e venda mercantil, pois
estabelece que o preço de venda ao consumidor deve ser livremente fixado
pela concessionária, enquanto na relação entre concessionária e
concedente cabe a esta fixar “o preço de venda” àquela (art. 13).
Confirma o entendimento de que há uma compra e venda mercantil o
disposto no art. 23 da mencionada lei, segundo o qual há obrigação da
concedente de readquirir da concessionária o estoque de veículos pelo
"preço de venda” à rede de distribuição. Desse modo, é evidente que, na
relação de "concessão comercial" prevista na Lei 6.729/1979, existe um
contrato de compra e venda mercantil que é celebrado entre o concedente e
a concessionária e outro contrato de compra e venda que é celebrado
entre a concessionária e o consumidor, sendo que é o segundo contrato
que gera faturamento para a concessionária. Saliente-se, a propósito,
que não há mera intermediação, tampouco operação de consignação. Isso,
inclusive, é confirmado pelo art. 5º da Lei 9.718/1998, que, quando
equipara para fins tributários as operações de compra e venda de
veículos automotores usados a uma operação de consignação, parte do
pressuposto de que a operação de compra e venda de carros novos não
configura consignação. Efetivamente, só se equipara aquilo que não o é;
se já o fosse, não seria necessário equiparar. Sendo assim,
caracterizada a venda de veículos automotores novos, a operação se
enquadra dentro do conceito de "faturamento" definido pelo STF quando
examinou o art. 3º, caput, da Lei n. 9.718/1998, fixando que a
base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta/faturamento que
decorre exclusivamente da venda de mercadorias e/ou de serviços, não se
considerando receita bruta de natureza diversa. Precedentes citados:
AgRg nos EREsp 529.034-RS, Corte Especial, DJ 1º/8/2006; AgRg no AREsp
67.356-DF, Primeira Turma, DJe 30/4/2012. REsp 1.339.767-SP, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26/6/2013.
| Terceira Seção |
DIREITO ADMINISTRATIVO. DIREITO DE ANISTIADO POLÍTICO MILITAR AOS BENEFÍCIOS INDIRETOS DOS MILITARES.
A
condição de anistiado político confere ao militar o direito aos planos
de seguro e de assistência médica, odontológica e hospitalar assegurados
aos militares. Isso porque, conforme o art. 14 da Lei
10.559/2002 (Lei de Anistia), ao “anistiado político são também
assegurados os benefícios indiretos mantidos pelas empresas ou órgãos da
Administração Pública a que estavam vinculados quando foram punidos”.
Portanto, os anistiados políticos fazem jus aos benefícios em questão,
pois estes constituem direito dos militares, consoante o disposto no
art. 50, IV, "e", da Lei 6.880/1980 (Estatuto dos Militares). MS 10.642-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 12/6/2013.
| Segunda Turma |
DIREITO ADMINISTRATIVO. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO REFERENTE A PERÍODO DE FÉRIAS.
O servidor público tem direito ao recebimento de auxílio-alimentação referente a período de férias. Precedentes
citados: AgRg no AREsp 276.991-BA, Segunda Turma, DJe 8/5/2013; e AgRg
no REsp 1.082.563-CE, Sexta Turma, DJe 1º/2/2011. AgRg no REsp 1.360.774-RS, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/6/2013.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. SUBSTITUIÇÃO DE BEM PENHORADO EM EXECUÇÃO FISCAL.
Em
execução fiscal, o juiz não pode indeferir o pedido de substituição de
bem penhorado se a Fazenda Pública concordar com a pretendida
substituição. Isso porque, de acordo com o princípio da
demanda, o juiz, em regra, não pode agir de ofício, salvo nas hipóteses
expressamente previstas no ordenamento jurídico. Assim, tendo o credor
anuído com a substituição da penhora, mesmo que por um bem que guarde
menor liquidez, não poderá o juiz, de ofício, indeferi-la. Ademais, nos
termos do art. 620 do CPC, a execução deverá ser feita pelo modo menos
gravoso para o executado. REsp 1.377.626-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/6/2013.
terça-feira, 17 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
INFORMATIVO 525 STJ
| Primeira Seção |
DIREITO ADMINISTRATIVO. REGRAS DE PROGRESSÃO NA CARREIRA DA EDUCAÇÃO BÁSICA, TÉCNICA E TECNOLÓGICA. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. N. 8/2008-STJ).
Até
o advento do Decreto 7.806/2012, que regulamenta o art. 120 da Lei
11.784/2008, era possível a docente da Carreira da Educação Básica,
Técnica e Tecnológica progredir por titulação sem observância de
interstício temporal. Conforme o art. 120 da Lei n.
11.784/2008, “o desenvolvimento na Carreira de Magistério do Ensino
Básico, Técnico e Tecnológico dos servidores que integram os Quadros de
Pessoal das Instituições Federais de Ensino, subordinadas ou vinculadas
ao Ministério da Educação, ocorrerá mediante progressão funcional,
exclusivamente, por titulação e desempenho acadêmico, nos termos do
regulamento”. Ainda, conforme o § 1º do mesmo artigo, a progressão
funcional será feita após o professor cumprir o interstício de dezoito
meses de efetivo exercício no nível respectivo. Ocorre que o § 5º do
aludido dispositivo legal prevê que, até que seja publicado o
regulamento previsto no caput para fins de progressão funcional
e desenvolvimento na respectiva carreira, devem ser aplicadas as regras
estabelecidas nos arts. 13 e 14 da Lei n. 11.344/2006, nas quais há
previsão de progressão por titulação sem cumprimento de interstício
temporal. Assim, o entendimento do STJ é que a progressão dos docentes
da carreira do magistério básico, técnico e tecnológico federal, até a
publicação do Decreto n. 7.806/2012, é regida pelas disposições da Lei
n. 11.344/2006, com duas possibilidades: por interstício, com avaliação
de desempenho; e por titulação, sem observância do interstício. REsp 1.343.128-SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12/6/2013.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE NA HIPÓTESE DE FILHO MAIOR DE 21 ANOS. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ).
O
filho maior de 21 anos, ainda que esteja cursando o ensino superior, não
tem direito à pensão por morte, ressalvadas as hipóteses de invalidez
ou deficiência mental ou intelectual previstas no art. 16, I, da Lei
8.213/1991. O art. 16, I, da Lei 8.213/1991 é taxativo, não
cabendo ao Poder Judiciário legislar positivamente, usurpando função do
Poder Legislativo. Precedentes citados: MS 12.982-DF, Corte Especial,
DJe 31⁄3⁄08; REsp 771.993-RS, Quinta Turma, DJ 23⁄10⁄06; e AgRg no Ag
1.076.512-BA, Sexta Turma, DJe 3⁄8⁄11. REsp 1.369.832-SP, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/6/2013.
| Segunda Turma |
DIREITO ADMINISTRATIVO E AMBIENTAL. REGULAMENTAÇÃO DO ACESSO A FONTES DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA.
É
possível que decreto e portaria estaduais disponham sobre a
obrigatoriedade de conexão do usuário à rede pública de água, bem como
sobre a vedação ao abastecimento por poço artesiano, ressalvada a
hipótese de inexistência de rede pública de saneamento básico. Os estados membros da Federação possuem domínio de águas subterrâneas (art. 26, I, da CF), competência para legislar sobre a defesa dos recursos naturais e a proteção do meio ambiente (art. 24, VI, da CF) e poder de polícia para
precaver e prevenir danos ao meio ambiente (art. 23, VI e XI, da CF).
Assim, a intervenção desses entes sobre o tema não só é permitida como
também imperativa. Vale acrescentar que o inciso II do art. 12 da Lei
9.433/1997 condiciona a extração de água do subterrâneo à respectiva
outorga, o que se justifica pela notória escassez do bem, considerado
como recurso limitado, de domínio público e de expressivo valor
econômico. Nesse contexto, apesar de o art. 45 da Lei 11.445/2007
admitir soluções individuais de abastecimento de água, a interpretação
sistemática do dispositivo não afasta o poder normativo e de polícia dos
estados no que diz respeito ao acesso às fontes de abastecimento de
água e à determinação de conexão obrigatória à rede pública. REsp 1.306.093-RJ, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 28/5/2013.
Na
declaração anual de imposto de renda, é possível a dedução de valor
referente à despesa do contribuinte com profissional de saúde, mesmo que
este não seja regularmente inscrito no respectivo conselho
profissional. Isso porque o art. 8º, I, da Lei 8.134/1990 — que
estabelece rol de hipóteses de dedução do imposto de renda — não fez
qualquer restrição à devida inscrição nos respectivos conselhos
profissionais. Ademais, o § 1º, "c", do referido artigo exige apenas a
comprovação do gasto por meio de recibo no qual conste nome, endereço,
CPF ou CNPJ do emissor ou indicação do nome do profissional no cheque
emitido pelo contribuinte. Assim, uma vez verificado que o contribuinte
comprovou as despesas médicas nos termos da legislação de regência, é
possível a dedução efetuada na declaração de ajuste anual do imposto de
renda. AgRg no REsp 1.375.793-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 4/6/2013.
Não
tem direito à correção de cartão-resposta de prova aplicada em certame
público o candidato que, descumprindo regra contida no edital e expressa
no próprio cartão-resposta, abstenha-se de realizar a identificação do
seu tipo de caderno de questões. Isso porque viabilizar
a correção da folha de resposta de candidato que não tenha observado as
instruções contidas no regulamento do certame e ressalvadas no próprio
cartão-resposta implicaria privilegiar um candidato em detrimento dos
demais — que concorreram em circunstâncias iguais de maturidade,
preparação, estresse e procedimento —, configurando flagrante violação
do princípio da isonomia. REsp 1.376.731-PE, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 14/5/2013.
| Terceira Turma |
É
de cinco anos o prazo de prescrição da pretensão de ressarcimento de
danos sofridos pelos moradores de casas atingidas pela queda, em 1996,
de aeronave pertencente a pessoa jurídica nacional e de direito privado
prestadora de serviço de transporte aéreo. Isso porque, na
hipótese, verifica-se a configuração de um fato do serviço, ocorrido no
âmbito de relação de consumo, o que enseja a aplicação do prazo
prescricional previsto no art. 27 do CDC. Com efeito, nesse contexto,
enquadra-se a sociedade empresária no conceito de fornecedor
estabelecido no art. 3º do CDC, enquanto os moradores das casas
atingidas pela queda da aeronave, embora não tenham utilizado o serviço
como destinatários finais, equiparam-se a consumidores pelo simples fato
de serem vítimas do evento (bystanders), de acordo com o art.
17 do referido diploma legal. Ademais, não há dúvida de que o evento em
análise configura fato do serviço, pelo qual responde o fornecedor, em
consonância com o disposto do art. 14 do CDC. Importante esclarecer,
ainda, que a aparente antinomia entre a Lei 7.565/1986 — Código
Brasileiro de Aeronáutica —, o CDC e o CC/1916, no que tange ao prazo de
prescrição da pretensão de ressarcimento em caso de danos sofridos por
terceiros na superfície, causados por acidente aéreo, não pode ser
resolvida pela simples aplicação das regras tradicionais da
anterioridade, da especialidade ou da hierarquia, que levam à exclusão
de uma norma pela outra, mas sim pela aplicação coordenada das leis,
pela interpretação integrativa, de forma a definir o verdadeiro alcance
de cada uma delas à luz do caso concreto. Tem-se, portanto, uma norma
geral anterior (CC/1916) — que, por sinal, sequer regulava de modo
especial o contrato de transporte — e duas especiais que lhe são
posteriores (CBA/1986 e CDC/1990). No entanto, nenhuma delas
expressamente revoga a outra, é com ela incompatível ou regula
inteiramente a mesma matéria, o que permite afirmar que essas normas se
interpenetram, promovendo um verdadeiro diálogo de fontes. A propósito, o
CBA regula, nos arts. 268 a 272, a responsabilidade do transportador
aéreo perante terceiros na superfície e estabelece, no seu art. 317, II,
o prazo prescricional de dois anos da pretensão de ressarcimento dos
danos a eles causados. Essa norma especial, no entanto, não foi
revogada, como já afirmado, nem impede a incidência do CDC quando
evidenciada a relação de consumo entre as partes envolvidas.
Destaque-se, por oportuno, que o CBA não se limita a regulamentar apenas
o transporte aéreo regular de passageiros, realizado por quem detenha a
respectiva concessão, mas todo serviço de exploração de aeronave,
operado por pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, com ou sem
fins lucrativos. Assim, o CBA será plenamente aplicado, desde que a
relação jurídica não esteja regida pelo CDC, cuja força normativa é
extraída diretamente da CF (art. 5º, XXXII). Ademais, não há falar em
incidência do art. 177 do CC/1916, diploma legal reservado ao tratamento
das relações jurídicas entre pessoas que se encontrem em patamar de
igualdade, o que não ocorre na hipótese. REsp 1.202.013-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 18/6/2013.
Resolução de Minas Gerais para combater guerra fiscal ofende não cumulatividade do ICMS
DECISÃO
A Primeira Seção do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) entendeu que ato do governo de Minas Gerais que restringe o
creditamento de ICMS em operações interestaduais de bens e serviços
ofende o princípio da não cumulatividade do imposto. A decisão se deu
por maioria, no julgamento de recurso em mandado de segurança impetrado
pela empresa mineira Cominas – Comercial Minas de Bateria Ltda.
No recurso, a empresa questionou a Resolução 3.166/01, editada pelo secretário da Fazenda de Minas Gerais com a justificativa de combater guerra fiscal com outras unidades da federação, precisamente quanto à concessão de incentivos fiscais sem a necessária aprovação no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
Segundo a Cominas, que é distribuidora de baterias automotivas, suas mercadorias são adquiridas de empresa sediada em Pernambuco, para comercialização em Minas Gerais. Nessa transação interestadual, a Cominas paga normalmente, no preço de aquisição, o ICMS calculado e destacado no documento fiscal, que lhe geraria crédito para redução do ICMS a recolher no estado mineiro.
Entretanto, de acordo com a empresa, “com a aplicação de tal resolução, o estado de Minas Gerais está gozando do direito de apropriar-se da totalidade do provável incentivo fiscal concedido pelo estado de origem, tornando-o sem efeito naquela localidade, mas gerando uma receita adicional e ilegal para o estado mineiro”.
Benefícios inconstitucionais
O estado de Minas Gerais alegou que é incontroverso, “no caso dos autos, que os créditos escriturais estornados são decorrentes de operações praticadas com benefícios inconstitucionais, uma vez que não aprovados, por unanimidade, pelo Confaz”.
Além disso, o estado afirma que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a constitucionalidade da Lei Complementar 24/75, que dispõe sobre os convênios para a concessão de isenções do ICMS.
Guerra fiscal
A maioria dos ministros da Primeira Seção entendeu que não era legítimo o mecanismo utilizado pelo estado de Minas Gerais para reagir à guerra fiscal supostamente desencadeada pelos estados-membros arrolados no Anexo Único da Resolução 3.166/01.
Esse mecanismo faz com que empresas situadas em Minas Gerais deixem de adquirir mercadorias de estabelecimentos localizados em outros estados da federação.
“Isso corre ao arrepio do artigo 152 da Constituição Federal, que veda aos entes políticos estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino”, assinalou o ministro Mauro Campbell Marques, um dos que votou para acolher o pedido da empresa.
O ministro destacou, ainda, que a verificação de uma norma indicativa de “guerra fiscal” não autoriza ao estado-membro, tido como prejudicado, utilizar-se de mecanismo que flagrantemente viola os princípios da legalidade tributária e da não cumulatividade, entre outros.
Em conclusão, afirmou que, em operações interestaduais, o valor efetivamente recolhido na operação anterior – correspondente ao "montante cobrado" (artigo 19 da LC 87/96) – não pode levar em consideração elementos extrínsecos à operação anterior (como é o caso da concessão de favor fiscal ao alienante da mercadoria), equivalendo este valor ao imposto constante da nota fiscal apresentada pelo adquirente da mercadoria.
Voto vencido
A relatora, ministra Eliana Calmon, havia votado no sentido de negar provimento ao recurso da empresa, entendendo que “ato do governo local restringindo o creditamento de ICMS em operações interestaduais de bens ou serviços, objeto de incentivo fiscal concedido em violação às disposições da LC 24, não ofende o artigo 19 da LC 87”. Segundo ela, a tese recursal já foi rechaçada pelo STF em inúmeros precedentes.
O ministro Napoleão Nunes Maia Filho, que foi o primeiro a divergir do entendimento da ministra Calmon, lavrará o acórdão.
No recurso, a empresa questionou a Resolução 3.166/01, editada pelo secretário da Fazenda de Minas Gerais com a justificativa de combater guerra fiscal com outras unidades da federação, precisamente quanto à concessão de incentivos fiscais sem a necessária aprovação no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
Segundo a Cominas, que é distribuidora de baterias automotivas, suas mercadorias são adquiridas de empresa sediada em Pernambuco, para comercialização em Minas Gerais. Nessa transação interestadual, a Cominas paga normalmente, no preço de aquisição, o ICMS calculado e destacado no documento fiscal, que lhe geraria crédito para redução do ICMS a recolher no estado mineiro.
Entretanto, de acordo com a empresa, “com a aplicação de tal resolução, o estado de Minas Gerais está gozando do direito de apropriar-se da totalidade do provável incentivo fiscal concedido pelo estado de origem, tornando-o sem efeito naquela localidade, mas gerando uma receita adicional e ilegal para o estado mineiro”.
Benefícios inconstitucionais
O estado de Minas Gerais alegou que é incontroverso, “no caso dos autos, que os créditos escriturais estornados são decorrentes de operações praticadas com benefícios inconstitucionais, uma vez que não aprovados, por unanimidade, pelo Confaz”.
Além disso, o estado afirma que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a constitucionalidade da Lei Complementar 24/75, que dispõe sobre os convênios para a concessão de isenções do ICMS.
Guerra fiscal
A maioria dos ministros da Primeira Seção entendeu que não era legítimo o mecanismo utilizado pelo estado de Minas Gerais para reagir à guerra fiscal supostamente desencadeada pelos estados-membros arrolados no Anexo Único da Resolução 3.166/01.
Esse mecanismo faz com que empresas situadas em Minas Gerais deixem de adquirir mercadorias de estabelecimentos localizados em outros estados da federação.
“Isso corre ao arrepio do artigo 152 da Constituição Federal, que veda aos entes políticos estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino”, assinalou o ministro Mauro Campbell Marques, um dos que votou para acolher o pedido da empresa.
O ministro destacou, ainda, que a verificação de uma norma indicativa de “guerra fiscal” não autoriza ao estado-membro, tido como prejudicado, utilizar-se de mecanismo que flagrantemente viola os princípios da legalidade tributária e da não cumulatividade, entre outros.
Em conclusão, afirmou que, em operações interestaduais, o valor efetivamente recolhido na operação anterior – correspondente ao "montante cobrado" (artigo 19 da LC 87/96) – não pode levar em consideração elementos extrínsecos à operação anterior (como é o caso da concessão de favor fiscal ao alienante da mercadoria), equivalendo este valor ao imposto constante da nota fiscal apresentada pelo adquirente da mercadoria.
Voto vencido
A relatora, ministra Eliana Calmon, havia votado no sentido de negar provimento ao recurso da empresa, entendendo que “ato do governo local restringindo o creditamento de ICMS em operações interestaduais de bens ou serviços, objeto de incentivo fiscal concedido em violação às disposições da LC 24, não ofende o artigo 19 da LC 87”. Segundo ela, a tese recursal já foi rechaçada pelo STF em inúmeros precedentes.
O ministro Napoleão Nunes Maia Filho, que foi o primeiro a divergir do entendimento da ministra Calmon, lavrará o acórdão.
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